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Ser Você Também É Estratégia

Ser Você Também É Estratégia: porque autoconhecimento é a base de uma liderança sustentável.


colagem de imagens formando um rosto humano

Liderar a partir de quem você é

Durante um momento de meditação, após uma semana agitada, me fiz a seguinte pergunta: quantas decisões da minha vida foram tomadas a partir de quem eu sou, e quantas foram tomadas só porque uma oportunidade apareceu?


Parece simples. Mas faz muito sentido, especialmente para quem empreende, lidera, cria ou carrega grandes responsabilidades.


Oportunidades aparecem o tempo todo. E muitas vezes a gente confunde porta aberta com direção.

Nem toda oportunidade é caminho. Às vezes é só movimento. E movimento sem propósito pode parecer crescimento por um tempo, mas dificilmente se sustenta.


O dia em que o corpo parou antes de mim

Em setembro de 2022, estava vivendo um dos momentos de maior sucesso da minha vida profissional, mas olhava em volta para as outras áreas e só via deserto. Estava em burnout e precisei parar tudo.


Não foi uma pausa planejada. Também não foi aquele tipo de descanso bonito que a gente imagina quando ouve a palavra sabático. Foi uma interrupção. O corpo, a mente e a alma já sinalizavam que algo estava fora do lugar. Eu demorei para escutar.


Naquele ano, fui entendendo que o problema não era apenas a quantidade de coisas que eu fazia.


Era o desalinhamento entre o que eu estava fazendo e a forma como fui desenhado para funcionar.


Quando você insiste por muito tempo em viver fora do seu desenho, a conta chega. No meu caso, chegou como burnout.


O que o NBI me ensinou sobre mim mesmo

Durante esse período, meu mentor, Rod Medeiros, me apresentou ao NBI, uma ferramenta que analisa preferências cerebrais e estilos de pensamento. Nenhum teste explica uma pessoa por completo, mas algumas ferramentas nos ajudam a enxergar padrões que, sozinhos, talvez levaríamos muito mais tempo para perceber.


pagina do NBI de Pedro Henrique Dias - NBI Estilo de Liderança

De forma simples, o NBI não diz quem você é, mas ajuda a identificar como você tende a pensar, decidir, se comunicar, aprender, resolver problemas e se relacionar com o trabalho. Ele observa preferências de pensamento, como análise, organização, criatividade, visão de futuro, comunicação e relacionamento. A partir disso, você começa a perceber quais ambientes, funções e responsabilidades fortalecem sua forma natural de funcionar e quais exigem mais energia, estrutura ou apoio.


teste de NBI

No meu caso, comecei a entender que minha forma mais natural de pensar estava ligada à visão de futuro, à criação de possibilidades, à conexão com as pessoas, à comunicação e à construção de significado. 


O meu lado direito, criativo, trabalha com força...


Eu funciono melhor quando consigo enxergar o todo, conectar os pontos, inspirar pessoas e transformar ideias em direção. Mas, naquele momento, eu tentava sustentar um modelo de trabalho e de liderança baseado no excesso de controle, na pressão operacional e na resposta imediata a tudo.


Foi ali que uma ficha caiu: nem todo cansaço vem do excesso de esforço. 

Às vezes, o cansaço vem do esforço na direção errada. 


Eu não precisava fugir da organização, da rotina ou da gestão. Precisava construir essas estruturas de um jeito mais coerente com a minha natureza.


Esforço faz parte da vida. O desgaste constante é um sinal de desalinhamento.


Autoconhecimento não é vaidade. É responsabilidade.

Uma pessoa que não se conhece tende a decidir a partir de pressão, expectativa e comparação.


Imagem em tripla esposição de rosto humano

Aceita o que não deveria, recusa o que deveria considerar, imita modelos que não combinam com a sua essência.


Por um tempo, isso pode dar resultado. Você pode crescer fora de si. Mas o que não nasce da sua verdade começa a cobrar manutenção demais. 


O que não tem raiz exige muita força para ficar de pé.


Se conhecer não é para se limitar. É para entender com mais clareza qual é sua matéria-prima. Como você pensa, onde floresce, onde precisa de estrutura e onde precisa parar de tentar ser alguém que nunca foi chamado para ser.


A oportunidade pergunta: o que pode ser gerado? A identidade pergunta: que vida estou construindo?

Quando você lidera apenas pela oportunidade, a pergunta principal costuma ser: “o que apareceu?”. Quando você lidera pela identidade, a pergunta muda: “isso conversa com a minha missão?”. 


A oportunidade olha para o ganho, a velocidade e a possibilidade. A identidade olha para a coerência, a direção e a consequência.

A oportunidade pode abrir portas, mas a identidade ajuda a discernir quais portas realmente fazem parte do caminho.


Porque nem tudo o que é bom é nosso. Nem tudo o que dá dinheiro constrói futuro. Nem toda visibilidade fortalece a reputação. 


Às vezes, uma oportunidade aumenta o faturamento, mas rouba a paz. Às vezes, amplia a agenda, mas enfraquece a presença. 


Por isso, amadurecer também é aprender a discernir. 


Existem oportunidades que chegam como convite, mas acabam funcionando como distração. E existem portas fechadas que parecem perdas, mas depois se revelam como livramentos.


Ser você não é permanecer igual

Autoconhecimento não é desculpa para fugir do difícil. 


arte de borboleta com colage de pastes do rosto humano

Quando você se conhece melhor, também enxerga com mais honestidade suas fraquezas e seus pontos cegos.


Ser você não é permanecer igual. É crescer sem se abandonar. 


Você pode ser criativo e aprender a ter rotina. Pode ser relacional e aprender a tomar decisões difíceis.


O ponto não é escolher entre essência e maturidade. É deixar que a maturidade fortaleça a essência.


Esse processo é uma espécie de metamorfose. 


Amadurecer não é abandonar quem somos, mas permitir que aquilo que somos ganhe nova forma, mais consciência, mais estrutura e mais responsabilidade. Há fases em que a vida nos aperta não para nos descaracterizar, mas para revelar uma versão mais inteira de nós mesmos. 


A essência permanece, mas a forma amadurece. 

O dom continua, mas aprende a carregar peso. A identidade permanece viva, mas passa a sustentar decisões mais difíceis, compromissos mais profundos e construções mais duradouras.


Talvez seja por isso que Isaías registra: “assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel”. - Isaías 43:1


Jacó era o homem em processo. Israel era a forma amadurecida de uma promessa que não terminaria nele.


Na linguagem bíblica, formar não é apenas fabricar algo do zero, mas trabalhar uma matéria a partir de uma matriz, colocar em forma aquilo que já carregava um destino. O que Deus fez em Jacó não foi apenas uma transformação individual. Foi a formação de um molde para todo um povo que viria depois dele. 


De alguma maneira, amadurecer também é isso: permitir que a Vida dê forma à nossa história, para que aquilo que nasce em nós possa sustentar algo maior do que nós.


O que um líder que se conhece muda ao redor

O autoconhecimento não beneficia apenas quem se conhece. Ele transforma o ambiente inteiro.


Quando um líder se conhece, comunica melhor.

Para de transferir sobrecarga para a equipe.

Constrói com pessoas complementares.

Cria uma cultura menos ansiosa.


Pessoas não precisam de líderes perfeitos. Precisam de líderes inteiros.

Autoconhecimento: ser você também é estratégia

Durante muito tempo achei que estratégia era olhar para fora. Mercado, oportunidades, concorrência. Tudo isso importa. Mas uma boa estratégia também exige olhar para dentro.


Quem sou eu? Como eu funciono? O que me move e o que me drena?


colage de rosto, boca, nariz, oculos.

Se você não entende quem está tomando as decisões, suas decisões podem estar sendo conduzidas por medo, ansiedade ou necessidade de aprovação. E nenhum desses motores sustenta uma construção saudável no longo prazo.


Autoconhecimento não é pausa da estratégia. É parte dela.


Talvez por isso eu veja o autoconhecimento de outra forma hoje. Não como um exercício abstrato, mas como uma estrutura de sustentação. Uma forma de tomar melhores decisões, liderar com mais coerência e construir sem precisar se abandonar no caminho.


O burnout não foi só o sinal de que eu precisava parar. Foi o sinal de que eu precisava voltar para mim.
rosto humano feminino refletido sobre agua tremula

Liderar a partir de quem sou não me livra das lutas. Mas me ajuda a não lutar contra mim mesmo enquanto enfrento as lutas certas.


No fim, ser você também é uma forma de servir.


A pergunta mais importante desta semana talvez não seja: "qual é a próxima oportunidade?" Talvez seja: "quem eu preciso continuar sendo quando essa oportunidade chegar?"

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Esse é o Terça Share, o espaço semanal da ORIGEM para reflexões que ajudam líderes e empresas a crescerem com mais clareza. Se este texto fez sentido para você, compartilhe com alguém que está diante de uma decisão importante.



Comentários


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  • 1

vamos começar do começo

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