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Antes de Pensar Fora da Caixa, Conheça a Sua

4 de ago.
5 min de leitura

Atualizado: 19 de out.

Calma. Talvez não seja exatamente nada.

Mas, provavelmente, você conhece muito menos do que acredita.

Homem de camisa e gravata com caixa de papelão na cabeça, em escada, ao lado de balão vermelho e etiqueta FRAGILE.

Por que confundimos evolução com novidade?

Nos últimos anos, aprendemos a associar evolução empresarial à novidade. Novas tecnologias, novos sistemas, novos canais, novas ferramentas, novos modelos de negócio.

Parece que, para uma empresa crescer, ela precisa encontrar algo que ainda não possui.


Por isso, estamos sempre procurando o que está fora.

Queremos pensar fora da caixa enquanto, muitas vezes, nem conhecemos direito a caixa que temos nas mãos.


Não exploramos suas dimensões.

Não entendemos sua estrutura.

Não testamos seus limites.

Não descobrimos tudo o que cabe dentro dela.


Ainda assim, estamos convencidos de que o próximo grande movimento está em algum lugar distante do que já fazemos.


O que 25 anos de mercado te ensinam sobre um novo negócio?

Essa reflexão ficou ainda mais clara para mim durante uma conversa recente com um amigo que está construindo uma editora de livros.

Ele atua no mercado editorial há mais de 25 anos. É alguém que conhece livros, autores, tendências, processos de publicação e os movimentos dessa indústria com profundidade construída ao longo de décadas.

Ainda assim, ao criar sua própria editora, precisou reconhecer que estava diante de uma nova caixa.


Embora continuasse dentro de um mercado conhecido, aquele era um novo negócio, com identidade própria, um catálogo em formação, novos leitores, novas relações e possibilidades que não poderiam ser simplesmente deduzidas a partir de sua experiência anterior.


Quando sua editora tinha cerca de 20 livros publicados, ele ainda não conseguia identificar com clareza qual era o seu segmento ou quais categorias estavam se formando dentro do catálogo.

Hoje, depois de três anos e com mais de 230 livros publicados, ele começa a enxergar esse caminho.


Essa afirmação poderia parecer simples, mas existe muita profundidade nela.

Não se trata de alguém que começou ontem ou que ainda está aprendendo sobre o mercado editorial. Trata-se de um profissional com mais de duas décadas de experiência que teve a humildade de compreender que conhecer um mercado não implica, automaticamente, conhecer um novo negócio.


Pessoa mascarada de terno branco e gravata preta, sentada numa cadeira de escritório dentro de uma caixa, usando laptop.

A experiência oferece repertório, reduz erros e amplia a capacidade de leitura. Mas ela não elimina a necessidade de observar, experimentar, construir e aprender novamente.

É preciso humildade para não utilizar a própria experiência como um atalho para conclusões prematuras.

É preciso maturidade para permitir que um negócio revele sua identidade ao longo da prática.

E é preciso manter os olhos fixos naquilo que está sendo construído para perceber que, livro após livro, autor após autor e projeto após projeto, sua editora estava mostrando o que poderia se tornar.


Talvez meu amigo não tenha demorado para compreender seu novo negócio.

Talvez tenha respeitado o tempo necessário para que ele, ainda que nascido dentro de um mercado conhecido, pudesse se revelar.


Porque toda nova empresa é uma nova caixa.

Você pode conhecer o material, entender como ela foi construída e reconhecer o mercado ao qual pertence. Ainda assim, precisará abri-la, explorar seus compartimentos, testar seus limites e descobrir o que somente aquela caixa pode carregar.


Qual é a diferença entre falta de clareza e clareza prematura?

Na tentativa de demonstrar segurança, muitos empresários definem rapidamente quem são, onde atuam, para quem vendem e qual será o futuro da empresa.


Constroem apresentações, discursos e planejamentos estratégicos antes mesmo de acumularem experiência suficiente para compreender os padrões reais do negócio.

O problema é que uma definição criada cedo demais também pode se tornar uma prisão.


Quando decidimos rapidamente o que uma empresa é, começamos a ignorar tudo o que ela poderia ser.


O que você ainda não sabe sobre o próprio negócio?

Conhecer um negócio exige mais do que dominar seu produto ou acompanhar o faturamento. Exige observar profundamente o que está acontecendo ao redor dele.


Quais clientes percebem mais valor naquilo que você entrega?

Quais problemas sua empresa resolve, inclusive aqueles que você nunca planejou resolver?

Quais produtos apresentam maior potencial de expansão?

Quais competências foram desenvolvidas silenciosamente durante a operação?

Quais oportunidades fiscais, comerciais, tecnológicas ou regulatórias já existem no seu próprio mercado, mas ainda não foram exploradas?

Quais padrões aparecem quando você olha para os últimos vinte, cinquenta ou duzentos projetos realizados?

Dois homens de terno preto, com caixas de papelão na cabeça, sentados em cadeiras amarelas num fundo bege.

Muitas vezes, a inovação que estamos procurando não está fora do negócio. Ela está escondida dentro dele.

Está nos dados que não analisamos.

Nas conversas com clientes que não registramos.

Nos serviços que surgiram informalmente.

Nas propostas que foram recusadas.

Nos produtos que vendemos sem entender por que funcionaram.

Nos conhecimentos que a equipe acumulou, mas que nunca foram transformados em metodologia.


Antes de buscar uma nova caixa, talvez seja necessário explorar melhor a atual.

Abrir cada compartimento.

Testar cada possibilidade.

Entender como ela foi construída.

Descobrir o que ainda cabe dentro dela.


Como isso está acontecendo na ORIGEM?

Na ORIGEM, estamos vivendo um processo semelhante.

Depois de dois anos e meio atuando como consultoria estratégica, começamos a afunilar ainda mais nossa compreensão do que fazemos melhor.

A experiência acumulada em diferentes empresas nos mostrou que nosso potencial não se limita ao desenvolvimento de estratégias de marketing.


A perspectiva consultiva e a capacidade de compreender negócios como sistemas têm nos colocado cada vez mais próximos dos espaços de decisão, atuando como advisors e ajudando líderes a organizar escolhas, prioridades e movimentos de crescimento.

Ao mesmo tempo, essa compreensão tem nos permitido criar novos produtos e novas frentes.


Não porque decidimos abandonar a caixa.

Mas porque a exploramos o suficiente para perceber onde ela se tornou pequena.


Depois de conhecê-la, decorá-la por dentro e compreender seus limites, finalmente podemos sair dela com consciência.

E, principalmente, podemos voltar quando desejarmos.


O que significa, de verdade, pensar fora da caixa?

Três pessoas com caixas de papelão na cabeça, em frente a uma parede de pedra, com a frase Think inside the box.

Não se trata de rejeitar o que já existe.

Trata-se de conhecer tão profundamente o que existe que você passa a enxergar possibilidades que antes estavam invisíveis.

É por isso que empresários e líderes precisam criar espaços para investigar o próprio negócio.


Algumas respostas aparecem na operação.

Outras surgem quando há tempo para observar.

Algumas dependem de pesquisa, análise de mercado e escuta dos clientes.

Outras exigem um olhar externo, capaz de identificar padrões que quem está dentro já não consegue perceber.


Uma consultoria pode cumprir esse papel, não como alguém que chega com respostas prontas, mas como uma ferramenta de investigação. Um olhar que organiza informações, provoca perguntas, confronta certezas e ajuda a empresa a reconhecer melhor os ativos, limites e oportunidades que já possui.

Mas, com ou sem consultoria, o primeiro movimento precisa partir do próprio líder.


Qual é o convite desta semana?


Trocar a ansiedade pela curiosidade.


Em vez de perguntar apenas “o que precisamos criar?”, talvez seja melhor começar perguntando: “o que já ou ainda não compreendemos sobre aquilo que construímos?”


Quatro figuras em ternos pretos, com cabeças de caixas de papelão, posam em estúdio bege; uma delas é um cão sentado.

Talvez você não precise imediatamente de uma nova tecnologia, de um novo produto ou de um novo mercado.

Talvez precise olhar novamente para o que já está diante de você.


Porque um negócio não se revela apenas quando nasce. Ele se revela enquanto é vivido.


E talvez a maior inovação disponível para a sua empresa, neste momento, seja finalmente conhecê-la.



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vamos começar do começo

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