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Um Passo Além da Crítica

12 de out.
5 min de leitura

Atualizado: 19 de out.

Por Pedro Dias · Publicado toda terça no blog da ORIGEM MKT


Close-up em preto e branco dos olhos de uma pessoa, com olhar intenso e sobrancelhas escuras.

Neste fim de semana, durante um tempo em família, fiz uma pergunta à mesa:

"o que vocês acham que poderíamos melhorar em nossa casa, na nossa convivência, na maneira como vivemos juntos?"


Cada um trouxe sua perspectiva. Algumas observações eram simples, outras exigiam um pouco mais de atenção. Ouvimos, conversamos e, depois que todos tiveram a oportunidade de falar, fiz uma segunda pergunta:

"E como vocês acham que podemos, juntos, colaborar para que isso aconteça? Qual é o plano?"


A conversa mudou.


Já não estávamos apenas falando sobre o que poderia ser diferente. Estávamos pensando no que cada um poderia fazer para que aquela diferença passasse a existir. Cada um contribuiu com suas ideias e, ao final, assumimos pequenos compromissos. Nada muito sofisticado. Apenas uma família tentando construir, em conjunto, a realidade que gostaria de experimentar.


Fiquei pensando nisso depois. Existe algo que desejo muito cultivar nos meus filhos: que eles desenvolvam a capacidade de enxergar o que precisa mudar, mas que não se tornem pessoas que vivem apenas apontando o que está errado.


Não quero ensiná-los a ignorar os problemas, a aceitar qualquer situação ou a deixar de questionar. Pelo contrário. Quero que tenham sensibilidade para perceber o que não está bem e coragem para não se conformar. Mas também quero que aprendam que existe um passo além da crítica.


Por que é tão fácil ficar na crítica?

Quero ser justo com a crítica. Enxergar o que está errado é uma capacidade valiosa.

Quem vê o problema geralmente é alguém atento, que se importa, que carrega dentro de si alguma ideia de como as coisas poderiam ser melhores. A crítica nos ajuda a identificar problemas, questionar estruturas e reconhecer o que já não funciona.


O ponto é quando paramos nela.


Personagem animado pálido e vestido de preto segura uma taça de vinho em fundo cinza, com expressão cansada.

Tenho a impressão de que muita gente boa acaba morando no lugar de quem vê, aponta, comenta e reclama, e que, com o tempo, passa a maldizer aquilo que poderia ajudar a mudar. Não necessariamente por má vontade. Muitas vezes é cansaço. Muitas vezes é a sensação de que não adianta, de que não depende de nós, de que já tentamos antes e não deu.


E a crítica tem um efeito curioso: ela nos dá a sensação de que fizemos alguma coisa. Nomeamos o problema, mostramos que percebemos, e isso parece suficiente. Ficar nela é correr o risco de nos tornarmos espectadores permanentes de uma realidade que gostaríamos que fosse diferente. Só que o problema continua exatamente onde estava. E nós, um pouco mais pesados.


Escrevo isso com tranquilidade porque vale para mim antes de valer para qualquer outra pessoa. Já passei longos períodos sabendo exatamente o que não funcionava, no trabalho, em casa e em mim mesmo, gastando muito mais energia comentando do que me movendo. Enxergava com clareza tudo o que deveria ser diferente, mas nem sempre me incluía entre as pessoas que podiam fazer alguma coisa a respeito. É muito fácil perceber o que falta. Difícil é perguntar a si mesmo qual parte daquela mudança estamos dispostos a construir.


O que muda quando a pergunta passa a ser “qual é o plano”?

Quem lidera vê problema o tempo todo.

No time, no cliente, no processo, no mercado, no próprio jeito de conduzir as coisas. Faz parte do lugar.

Mas penso que parte do cansaço de quem lidera não vem dos problemas em si, e sim de carregá-los por muito tempo apenas como diagnóstico. Um problema que só é observado vai ficando mais pesado a cada vez que é observado de novo.


Mãos em mesa com amostras, papel e lápis, caneca ao lado; ambiente de trabalho calmo e concentrado.

A pergunta “qual é o plano?” muda a nossa posição diante dele. Deixamos de ser espectadores e passamos a ser participantes. E o “juntos” também importa. Quando perguntei aos meus filhos como poderíamos colaborar, eu não estava terceirizando a solução para eles, nem assumindo tudo sozinho. Estava dizendo que aquilo era nosso.


Talvez a mesma pergunta caiba em muitas reuniões. Depois de ouvir tudo o que não está funcionando, pergunte com sinceridade: e como você vê que a gente pode resolver isso junto? Às vezes a resposta vem crua. Às vezes vem melhor do que qualquer coisa que teríamos pensado sozinhos. Quase sempre, ela devolve às pessoas a sensação de que podem fazer alguma diferença.


E se o plano não der certo de primeira?

Uma vez ouvi de um mentor uma frase que me acompanha até hoje: “Se Deus te mostra um problema, é porque Ele quer que você o resolva.”


Escalador faz ponte entre rochas enormes azuis sob céu azul intenso, em cena de aventura e desafio.

Durante um tempo, li essa frase como um peso. Como uma convocação para carregar o mundo nas costas, como se cada problema que eu enxergasse virasse automaticamente uma obrigação minha. Hoje leio de outro jeito. Talvez ela não seja sobre resolver de primeira. Talvez nem seja sobre conseguir resolver. Talvez seja, antes de qualquer coisa, um convite para não sermos indiferentes. Para reconhecer que, diante do que percebemos, também existe a possibilidade de uma resposta.


E essa resposta nem sempre tem a forma de uma solução. Às vezes, a nossa contribuição será resolver. Em outras, será reunir as pessoas certas, iniciar uma conversa, mudar uma atitude ou simplesmente dar o primeiro passo para que algo comece a acontecer. Nem todo problema que enxergamos será resolvido por nós. Mas não precisamos transformar essa limitação em conformismo.


Não é sobre ter o plano perfeito. O plano que fizemos em casa provavelmente vai precisar de ajustes, e está tudo bem. O que eu quero que meus filhos aprendam é que existe um passo além da crítica e que esse passo está ao alcance deles. Que a voz deles importa, mas que as atitudes também importam. Que podem questionar, discordar, propor, tentar, errar, recomeçar e construir com outras pessoas. E, enquanto tento ensinar isso a eles, percebo o quanto eu mesmo ainda preciso aprender.


Que a nossa crítica não seja o ponto final da nossa contribuição.


Como dar um passo além da crítica nesta semana?

Talvez você esteja chegando nesta terça-feira carregando alguns problemas que enxerga há bastante tempo. Coisas que você já sabe que precisam mudar, já comentou, já reclamou em silêncio, e que continuam ali. Se for o caso, não quero acrescentar culpa a essa lista. Ver tudo isso já cansa o suficiente.


O convite é mais simples.

Escolha um. Só um.

E faça a segunda pergunta: qual é o primeiro passo possível?

Não o plano completo, não a solução definitiva. Um passo. Se houver alguém ao seu lado nisso, pergunte também como vocês podem colaborar para que aconteça.


É possível que você descubra que não estava tão sozinho quanto parecia.

Não vai sair perfeito.

Talvez não dê certo de primeira.

Mas existe uma diferença enorme entre quem vê o problema e se acostuma com ele e quem vê o problema e decide caminhar na direção dele.


Que nesta semana você se permita dar esse passo. Com calma, com gente do lado e sem a obrigação de acertar, mas de caminhar.


Boa terça.


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vamos começar do começo

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