Você Não Precisa de Mais Ajuda.
Tenho acompanhado muitas pessoas no começo de seus negócios através do nosso programa ORIGEM Founders. São pessoas construindo suas primeiras empresas, organizando ideias, definindo produtos, entendendo posicionamento, preço, público e modelo de negócio.

No começo, existe muito o que organizar.
É preciso transformar uma ideia em algo que possa ser explicado.
Depois, transformar aquilo em uma oferta.
Dar um preço. Entender para quem vender.
Pensar em como chegar ao mercado.
Existe uma fase em que a ajuda faz muita diferença.
Quando a preparação deixa de ajudar?
Mas existe também existe uma fase em que continuar procurando ajuda começa a atrapalhar. Porque chega uma hora em que está tudo suficientemente pronto.
Não perfeitamente pronto. Suficientemente pronto.
Às vezes a pessoa volta com mais uma pergunta. Quer revisar a apresentação de novo. Mudar uma frase. Recalcular o preço. Pensar em outro público. Criar mais um produto. Algumas dessas perguntas são legítimas. Mas, em certos momentos, elas começam a esconder outra coisa.

Medo.
Medo de ligar para alguém e ouvir não.
Medo de apresentar o preço e perceber que ficou caro.
Medo de descobrir que ficou barato.
Medo de entrar em uma negociação e fazer um péssimo negócio.
Medo de parecer inexperiente.
Então a preparação começa a virar proteção. Você continua organizando aquilo que já está organizado porque organizar é mais confortável do que se expor.
O que ninguém consegue fazer por você?
Essa talvez seja uma das partes mais difíceis do meu trabalho como consultor. É aqui que eu falo que: Você Não Precisa de Mais Ajuda. Perceber quando alguém que estou acompanhando já não precisa de mais estratégia, precisa de prática.

Eu posso ajudar você a estruturar sua oferta.
Posso questionar seu preço.
Posso organizar sua estratégia.
Posso revisar sua apresentação.
Posso pensar junto sobre como abordar o mercado.
Mas existe uma fronteira que nenhuma consultoria atravessa pelo fundador.
Uma das pessoas que acompanho passou meses ajustando a apresentação. A cada encontro, uma versão melhor. Até que, em vez de revisar mais uma vez, mandou a mensagem para três pessoas. Duas não responderam. A terceira pediu uma reunião, achou caro e negociou. Ela voltou para mim com uma dúvida que nenhuma das nossas conversas anteriores tinha produzido, porque essa dúvida só nasce quando alguém do outro lado da mesa coloca dinheiro em jogo.
A apresentação não estava incompleta. O que faltava era ir.
Quando empreender começa de verdade?
Existe uma diferença enorme entre ter um negócio no papel e ter um negócio no mundo. No papel, quase tudo funciona. A proposta parece boa. O público está claro. O preço parece coerente. A estratégia está organizada.
Então você encontra o primeiro cliente, e ele pergunta algo que você nunca imaginou.
O segundo acha caro.
O terceiro não entende exatamente o que você faz.
O quarto diz não.
O quinto pede uma proposta, você manda e ele desaparece.
Até que alguém compra, e você percebe que vendeu barato demais.
Bem-vindo. Agora você começou a empreender.

Você vai errar.
Não porque é incompetente, mas porque está aprendendo algo que só pode ser aprendido fazendo. Vai desligar algumas ligações pensando “eu poderia ter falado aquilo”. Vai sair de reuniões pensando “por que eu aceitei isso?”. E, pouco a pouco, na próxima negociação você percebe a pergunta antes que ela apareça. Na próxima proposta, deixa mais claro aquilo que gerou dúvida. Na próxima venda, consegue cobrar melhor.
Isso é formação empresarial.
E não existe curso capaz de eliminar essa etapa.
O que o mercado sabe sobre o seu negócio que você ainda não sabe?
Vender não é apenas uma atividade financeira. É uma atividade de descoberta.
Quando você começa a vender, começa a conhecer seu negócio de verdade.
Descobre quais argumentos funcionam.
Quem realmente compra e quem você imaginava que compraria.
Porque o cliente hesita. Quanto ele está disposto a pagar.
Que parte da sua entrega é percebida como diferencial e que parte você considera importantíssima sem que ninguém pareça notar.

Cada reunião vira pesquisa.
Cada objeção vira dado.
Cada proposta recusada carrega alguma informação.
Uma boa estratégia continua valendo, ela evita erros desnecessários, impede que você desperdice meses no mercado errado e aumenta muito suas chances de decidir melhor. O que ela não faz é eliminar a necessidade de experimentar. Estratégia deveria melhorar a qualidade desse processo, não nos dar a ilusão de que vamos atravessá-lo sem tropeçar.
Existe uma enorme diferença entre prudência e medo disfarçado de preparação. Prudência prepara você para agir.
Medo faz você continuar preparando para nunca precisar agir.

Qual é o convite desta semana?
Existe uma hora para planejar, para pedir conselho, para organizar e para construir.
Mas também existe uma hora em que você precisa fechar o computador, pegar o telefone e falar com alguém.

Mandar a mensagem.
Marcar a reunião.
Falar o preço.
Ouvir o silêncio.
Negociar.
Perder algumas.
Ganhar outras.
E continuar.
Talvez você ainda não saiba vender tão bem. Vai aprender vendendo. Talvez ainda não saiba exatamente quanto cobrar. O mercado também vai ajudar você a descobrir. O problema nunca foi descobrir que você estava errado, o problema é passar um ano tentando não descobrir.
Empreendedores não se tornam empreendedores quando abrem um CNPJ, terminam o branding ou publicam o primeiro post. Eles se tornam empreendedores quando começam a assumir a responsabilidade de colocar aquilo que construíram diante do mundo.
Então, se o seu negócio já está suficientemente pronto, talvez você não precise de mais uma reunião.
Precisa de uma lista de pessoas para ligar amanhã e coragem suficiente para começar pela primeira.
Essa coragem é sua e ninguém empresta.
Mas ela pesa menos perto de gente atravessando a mesma coisa.
É para isso que existe comunidade.
Excelente semana para nós!





Comentários