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A Verdadeira Riqueza É Ter com Quem Dividir a Vida

há 2 dias
3 min de leitura

Tenho pensado em como nossa ideia de riqueza muda ao longo da vida.

No começo, costuma ter a ver com aquilo que conseguimos acessar: os lugares certos, as experiências raras, os objetos que poucos podem comprar, os ambientes onde determinadas pessoas circulam.

Criança ruiva salta sorrindo sobre lama em fazenda, com botas sujas, cerca, celeiro e céu azul ao fundo.

Mas existe um momento em que talvez a pergunta deixe de ser "o que eu consigo ter?" e passe a ser "com quem eu quero viver tudo isso?"

Porque há uma diferença enorme entre conquistar um lugar onde todos querem estar e construir um lugar onde as pessoas que você ama queiram permanecer.


E talvez seja aí que comece uma definição muito mais interessante de riqueza.


Quando a definição de luxo começa a ficar pequena?

Mas tenho pensado que talvez exista um momento da vida em que essa definição comece a ficar pequena.


Porque dinheiro compra acesso.

Compra conforto.

Compra tempo.

Compra experiências extraordinárias.

Compra uma casa bonita, uma viagem inesquecível, uma mesa enorme para receber gente.

Só não compra quem você gostaria que estivesse sentado nela.


E talvez seja justamente aí que a nossa ideia de riqueza comece a mudar.

Pessoas jantam em longa mesa ao ar livre num campo ensolarado, com taças e pratos, em clima descontraído.

Nos últimos tempos, tenho observado como pessoas muito diferentes usam dinheiro para tentar resolver a mesma necessidade humana: pertencer.


Estar perto das pessoas certas é o mesmo que estar perto de quem importa?


Existe uma diferença importante entre querer estar perto das pessoas certas e construir uma vida perto das pessoas que importam. Parece a mesma coisa. Não é.

Você pode morar no mesmo lugar, frequentar os mesmos restaurantes, fazer parte dos mesmos clubes e participar das mesmas conversas. Pode compartilhar CEP, agenda e até interesses.


Menino sentado num galho de árvore, balançando as pernas na floresta, com clima de brincadeira e liberdade.

Ainda assim, pode não compartilhar vida.

Proximidade não é intimidade.

Acesso não é pertencimento.


Por que criar contexto virou a decisão mais interessante?


Talvez por isso algumas das decisões mais interessantes que vejo em pessoas que já conquistaram muito não tenham relação com conquistar ainda mais. São decisões sobre como querem viver aquilo que conquistaram. Menos sobre aumentar patrimônio e mais sobre criar contexto.


Contexto para que os amigos estejam por perto. Para que as famílias convivam. Para que os filhos cresçam juntos. Para que existam mesas longas, conversas demoradas e lugares aos quais as pessoas tenham vontade de voltar.

Quatro meninos sujos de lama sorriem e se abraçam ao ar livre, diante de uma árvore, em foto em preto e branco.

E gosto especialmente de pensar nas crianças.

Em uma época em que o luxo costuma estar associado àquilo que precisa ser visto, existe alguma coisa profundamente sofisticada na imagem de crianças correndo juntas, se sujando de terra, sem fazer ideia de quanto custa o terreno onde estão brincando.


Elas não estão impressionadas com o endereço. Estão apenas vivendo.


E se o luxo fosse justamente aquilo que inclui?


Talvez tenhamos passado tempo demais associando luxo àquilo que exclui. Àquilo que poucos conseguem comprar, poucos conseguem acessar e poucos podem exibir. Só que algumas das formas mais raras de riqueza funcionam exatamente ao contrário.

Crianças escalam um grande carvalho, vistas de baixo entre troncos grossos e galhos ao sol, em clima de aventura.

Uma amizade que atravessou anos.

Pessoas para quem você pode ligar sem precisar explicar quem você é.

Famílias que desejam permanecer próximas.

Alguém com quem dividir uma boa notícia antes mesmo de publicá-la.

Uma casa cheia não porque houve um evento, mas porque as pessoas gostam de estar ali.

Uma mesa na qual ninguém está tentando vender nada para ninguém.


Isso é raro.

E raridade sempre foi uma das características do luxo.


Talvez o verdadeiro sinal de prosperidade não esteja apenas na quantidade de possibilidades que alguém conseguiu criar para si, mas também na capacidade de transformar algumas dessas possibilidades em espaços de pertencimento para outras pessoas.


Quem eu quero ao meu lado quando chegar lá?


No começo da vida profissional, é natural querer chegar. Chegar a determinados lugares. Conhecer determinadas pessoas. Participar de determinadas mesas. Depois de algum tempo, talvez apareça uma pergunta mais interessante: quem eu quero comigo quando chegar lá?

Quatro meninos sentados em um banco, comendo picolés, em foto em preto e branco, com expressão relaxada.

Porque conquistar um lugar é uma coisa.

Construir uma vida que outras pessoas também desejem habitar é algo completamente diferente.


E talvez seja esse o luxo que dinheiro nenhum, sozinho, consegue comprar.

Ter com quem dividir a vida.


Boa terça.


Comentários


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vamos começar do começo

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